DUPLA PREDESTINAÇÃO?


Por Tiago Rosas



Muitos calvinistas consideram a dupla predestinação uma heresia hipercalvinista, então eles consideram Calvino um herege hipercalvinista?

A dupla predestinação é realmente uma HERESIA! Mas não foram os hiper-calvinistas (embora eles sejam calvinistas, né?) que inventaram, mas o próprio Calvino (respaldado em Agostinho de Hipona), e nestes exatos termos:

“Chamamos PREDESTINAÇÃO o eterno decreto de Deus pelo qual houve por bem DETERMINAR O QUE ACERCA DE CADA HOMEM QUIS QUE ACONTECESSE. Pois ele não quis criar a todos em igual condição; ao contrário, preordenou a uns a vida eterna; a outros, a condenação eterna. Portanto, como cada um FOI CRIADO PARA um ou outro desses dois destinos, assim dizemos que um foi predestinado ou para a vida, ou PARA A MORTE” - Institutas, vol. 3, cap. 21, seç. 5.

“a Escritura mostra claramente: que designou de uma vez para sempre, em seu eterno e imutável desígnio, àqueles que ele quer que se salvem, e também AQUELES QUE [DEUS] QUER QUE SE PERCAM” - Institutas, 3.21.7

“os réprobos SÃO SUSCITADOS PARA ESTE FIM, ou, seja, para que através deles a glória de Deus resplandeça. (...) Portanto, se não podemos assinalar outra razão por que Deus usa de misericórdia para com os seus, a não ser porque assim lhe apraz, tampouco disporemos de outra razão por que rejeita e exclui aos demais, senão pelo uso deste mesmo beneplácito” - Institutas, 3.22.11

“Venham todos os filhos de Adão; contendam e alterquem com seu Criador por que antes mesmo de serem gerados FORAM PREDESTINADOS À PERPÉTUA MISÉRIA por sua eterna providência” - Institutas, 3.23.3

“Sem dúvida confesso que FOI PELA VONTADE DE DEUS que todos os filhos de Adão NESTA MISERÁVEL CONDIÇÃO em que ora se acham enredilhados. E isto é o que eu dizia inicialmente: por fim, tem-se sempre de volver ao mero arbítrio da vontade divina, cuja causa está escondida nele mesmo” - Institutas, 3.23.4

“Pois NÃO É PROVÁVEL que o homem TENHA BUSCADO SUA PERDIÇÃO pela mera permissão de Deus, e não por sua ordenação. Como se realmente Deus não haja estabelecido em qual condição quisesse estar a principal de suas criaturas” - Institutas, 3.23.8

“O primeiro homem, pois, caiu porque o Senhor assim julgara ser conveniente. Por que ele assim o julgou nos é oculto. Entretanto, é certo que ele não o julgou de outro modo, senão porque via daí ser, com razão, iluminada a glória de seu nome” - Institutas, 3.23.8

Aliás, os próprios Luteranos, ainda no século 16, já chamavam a doutrina da Predestinação calvinista de "FALSA DOUTRINA", devido justamente o seu caráter duplo e incondicional.


ASPECTOS POLÍTICOS DA REFORMA PROTESTANTE


Por Grupo de Estudos CBI-ICM

Lutero - Calvino - Zuinglio - Menno Simons - Henrique VIII

A Reforma Protestante foi iniciada por Martinho Lutero, embora tenha sido motivada primeiramente por razões religiosas, também foi impulsionada por razões políticas e sociais.

BIBLIOGRAFIA
Uma Breve História do Mundo. Geoffrey Blainey. Pág.: 187-188 e 190. Editora Fundamento. ISBN 85-88350-77-7.
História. Editora ática. Divalte Garcia Figueira. 2007. ISBN 978-850811073-5. Pág.: 113.
História e Vida integrada. Nelson Piletti e Claudino Piletti. 2008. Editora ática. Pág.: 81. ISBN 978-850810049-1.

Os conflitos políticos entre autoridades da Igreja Romana e governantes das monarquias europeias, tais governantes desejavam para si o poder espiritual e ideológico da Igreja e do Papa, muitas vezes para assegurar o direito divino dos reis; uma doutrina política e religiosa defendida por pensadores europeus. Leia mais sobre esta doutrina vivenciada pela sociedade europeia, no link abaixo:


BIBLIOGRAFIA
História Global Brasil e Geral. Pág.: 157-162 e 342. Volume único. Gilberto Cotrim. ISBN 978-85-02-05256-7

Práticas como a usura (cobrança de juros) eram condenadas pela ética católica romana, assim a burguesia capitalista que desejava altos lucros econômicos sentiria-se mais "confortável" se pudesse seguir uma nova ética religiosa, adequada ao espírito capitalista, necessidade que foi atendida pela ética protestante e o conceito correto de que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei (Romanos 3:28). Obviamente havia burgueses que serviam a Cristo, mas de modo geral, a burguesia não estava interessada na experiência cristã genuína, mas sim nas novas possibilidades de lucro. Sem contar o fato que pouco tempo mais tarde o calvinismo passou a defender que a riqueza material era a prova definitiva de que a graça divina alcançou determinada pessoa e a tal fazia parte do time do eleitos para a vida eterna com Deus. Qualquer semelhança com a teologia da prosperidade não é mera coincidência.

BIBLIOGRAFIA
História Geral. Antonio Pedro e Florival Cáceres. Editora FTD. Pág.: 167
História Do Mundo Ocidental. Editora FTD. Antonio Pedro. Lizânias de Souza Lima. Yone de Carvalho. ISBN 85-322-5602-3. Pág.:156.

Algumas causas econômicas para a aceitação da Reforma foram o desejo da nobreza e dos príncipes de se apossar das riquezas da igreja romana e de ver-se livre da tributação papal que, apesar de defender a simplicidade, era a instituição mais rica do mundo. Também na Alemanha, a pequena nobreza estava ameaçada de extinção em vista do colapso da economia senhorial. Muitos desses pequenos nobres desejavam as terras da igreja. Somente com a Reforma, estas classes puderam expropriar as terras;

BIBLIOGRAFIA
BURNS, Edward Macnall, op. cit., II vol., pgs. 458-459.
SOUTO MAIOR, Armando, op. cit., pgs. 298-299.
História Geral e Brasil - Trabalho, Cultura, Poder - Ensino Médio. Koshiba, Luiz; Pereira, Denise Manzi Frayze.