BÍBLIA SAGRADA X INSTITUTAS DE JOÃO CALVINO


John Wesley



"Calvinistas, que negam que a salvação possa ser perdida, raciocinam sobre este assunto de uma maneira admirável. Eles nos dizem, que nenhuma das lâmpadas das virgens pode se apagar (Mt 25.8); nenhuma colheita prometida pode ser estrangulada pelos espinhos (Mt 13.22); nenhum ramo em Cristo pode ser sequer cortado pela esterilidade (Jo 15.16); ninguém pode sequer "receber a graça de Deus em vão" (2 Co 6.1); ou "enterrar seus talentos" (Mt 25:18); ou "negligenciar tão grande salvação" (Hb 2.3); ou desprezar "o dia da graça" (Mt 23.37; Hb 10:29; 1 Ts 4.8); "olhar para trás" após por suas mãos no arado do Evangelho (Lc 9.62); ninguém pode "entristecer o Espírito" (Ef 4.30) até Ele ser "extinto" (1 Ts 5.19), e não ser capaz de "negar o Senhor que os comprou" (2 Pe 2.1); nem "trazer sobre si mesmos repentina destruição" (2 Pe 2.1). Ninguém, ou nenhum grupo de crentes, pode sequer ficar morno ao ponto de Jesus vomitá-lo de Sua boca (Ap 3.16).

Eles usam resmas de papel para argumentar que se alguém se perde ele nunca foi achado (Jo 17.12; 2 Tm 4:10 e 2 Pe 2:15-22); que se alguém caiu, ele nunca esteve em pé (1 Co 10.12; Rm 11.16-22 e Hb 6.4-6); se alguém foi jogado fora, ele nunca esteve dentro (Jo 15.6), e "se qualquer um sequer murchou", ele nunca foi verde (Hb 10.38,39); e se qualquer um caiu em trevas espirituais, jamais foi iluminado (Hb 6.4-6); que se você "novamente se entregou às corrupções deste mundo", você nunca escapou (2 Pe 2.20); que se você jogou fora a salvação, você nunca a teve para jogar fora (1 Tm 4.1), e que se você naufragou na fé, não havia nenhuma fé ali (1 Tm 1.19)! Em resumo dizem eles: se você tem, nunca perderá; e se perdeu, nunca a teve.

Deus nos salve de aceitar uma doutrina que precisa ser defendida por tão falacioso raciocínio!”

John Wesley


Texto traduzido por José Ildo Swartele de Mello que tomou a liberdade de incluir referências bíblicas - texto original em Inglês: http://www.examiningcalvinism.com/files/RollCall/Wesley.html

O BATISMO COM FOGO E O CALVINISMO


ELES ESTÃO CORRETOS NESTA QUESTÃO!
O QUE JOÃO CALVINO E ALGUNS CALVINISTAS DISSERAM SOBRE ...



“vos batizará... com fogo” (Mateus 3.11; Lucas 3.16)

Não tratamos aqui da subsequencialidade do batismo no Espírito Santo à regeneração, nem da questão da evidência inicial do batismo no Espírito Santo, as línguas, conforme o Pentecostalismo clássico. Nosso intuito é apenas apresentar posicionamentos de expoentes calvinistas sobre a expressão “batismo no Espírito Santo e fogo” como sendo referência a um único batismo e para crentes, ou, no máximo, um único batismo com dupla aplicação: o fogo que purifica o crente, mas também condena o incrédulo. Assim, provamos: 1. Que a compreensão do batismo com Espírito Santo e fogo como uma benção para crentes não é uma abordagem pentecostal inédita (século XX); 2. Que há uma possibilidade interpretativa legítima e tradicionalmente abraçada pelo pentecostalismo clássico (embora não unanimemente), mas que nem de longe lhe é exclusiva, sendo antes partilhada por outras escolas teológicas, inclusive não pentecostais. 

JOÃO CALVINO (1509-1564)

“O que, pois, João quis dizer ao afirmar que ele certamente batizava com água, mas que logo Cristo viria batizando com o Espírito Santo e com fogo [Mt 3.11; Lc 3.16]? (...) ele comparou sua pessoa com a pessoa de Cristo, dizendo ser ele ministro da água; Aquele é o doador do Espírito Santo; e este poder ele manifestaria com um milagre visível no dia em que enviasse o Espírito Santo aos apóstolos em forma de línguas de fogo [At 2.3]” (Institutas, 4.15.8)

“Assim, no dia de Pentecostes se diz que os apóstolos se lembraram das palavras do Senhor acerca do batismo de fogo e do Espírito [At 1.5]” (Institutas, 4.15.18)

“(...) batizar pelo Espírito Santo e pelo fogo equivale a conferir o Espírito Santo, o qual na regeneração tem a propriedade e a natureza do fogo” (Institutas, 4.15.25)

“A palavra fogo é adicionado como um epíteto, e é aplicado ao Espírito, porque ele tira as nossas poluições, como o fogo purifica o ouro. Da mesma forma, ele é metaforicamente chamado de água em outra passagem (João 3.5)” (Comentário de Mateus 3.11).
   
MATTHEW HENRY (1662-1714)

“Aqueles que são batizados com o Espírito Santo, são batizados como que com o fogo. Os sete espíritos de Deus aparecem como sete lâmpadas de fogo (Ap 4.5). O fogo ilumina? Também o Espírito é um Espírito que ilumina. O fogo aquece? E os corações não queimam dentro deles? O fogo consome? E o Espírito de julgamento, como um Espírito que arde, não consome as impurezas das corrupções dos pecadores? O fogo torna tudo o que alcança semelhante a si? E se move para o alto? Também o Espírito torna a alma santa como Ele mesmo o é, e tende a se dirigir para o céu. Cristo diz: ‘Vim lançar fogo na terra’ (Lc 12.49) (...) João não consegue fazer nada, além de batizar ‘com água’, como símbolo de que eles se purificavam e se livravam das impurezas; mas Cristo pode, e irá, batizar ‘com o Espírito Santo’. Ele pode permitir que o Espírito limpe e purifique o coração, não somente como a água remove a sujeira do exterior, mas como o fogo expurga a sujeira do interior, e derrete o metal, para que possa ser usado em um novo molde” (Comentário Bíblico Matthew Henry, Novo Testamento, vol. 5 [comentários de Mateus 3.11 e Lucas 3.16], CPAD)

D.A. CARSON (1946-)

“Muitos veem isso como um duplo batismo, um no Espirito Santo para o justo e outro no fogo para o impenitente (cf. o trigo e a palha no v. 12). (...) Há bons motivos, contudo, para falar de ‘fogo’, junto com o Espirito Santo, como agente purificador. As pessoas a quem João se dirige estão sendo batizadas por ele; elas, provavelmente, arrependeram-se. Mais importante, a preposição em (‘com’) não é repetida antes de fogo: uma preposição governa o ‘Espirito Santo’ e o ‘fogo’, e isso normalmente sugere um conceito unificado, Espirito-fogo, ou algo semelhante (cf. M. J. Harris, DNTT, 3:1178; Dunn Baptism [Batismo], p. 10-13). No Antigo Testamento, fogo, com frequência, tem uma conotação purificadora, não destrutiva (e.g., Is 1.25; Zc 13.9; Ml 3.2,3). O batismo de água de João relaciona-se com arrependimento; mas aquele de quem ele prepara o caminho administrara o batismo de Espirito-fogo que purifica e refina a pessoa”  (O comentário de Mateus, p. 135, Shedd Publicações)

HERNANDES DIAS LOPES

“Deus é fogo. Sua Palavra é fogo. Ele faz dos seus ministros labaredas de fogo. Jesus batiza com fogo, e o Espírito desceu em línguas como de fogo. O fogo ilumina, purifica, aquece e alastra. Jesus veio para lançar fogo sobre a terra. Hoje, muitas vezes, a igreja está fria. Parece mais uma geladeira a conservar intacto seu religiosismo do que uma fogueira a inflamar corações. Muitos crentes parecem mais uma barra de gelo do que uma labareda de fogo. Certa feita alguém perguntou a Dwight Moody: ‘Como podemos experimentar um reavivamento na igreja?’. O grande avivalista respondeu: ‘Acenda uma fogueira no púlpito’. Quando gravetos secos pegam fogo, até lenha verde começa a arder. (...) O Espírito, como o fogo, derrete o coração, separa e queima a escória, e acende sentimentos santos e devotos na alma. É na alma, como o fogo que está sobre o altar, que são oferecidos os sacrifícios espirituais. Este é o fogo que Jesus veio lançar na terra (Lc 12.49)” (Atos: a ação do Espírito Santo na vida da Igreja, p. 53,54, Hagnos)

Quem quiser criticar a hermenêutica pentecostal, está livre para fazê-lo. Mas antes de criticar o posicionamento clássico do Pentecostalismo que defende e prega o batismo com Espírito Santo e fogo como uma dádiva de Cristo para a igreja, lembrem-se que até João Calvino cria assim também!

Fonte: Tiago Rosas- Facebook – (clique no link para ver a postagem original).