Por Marco Elias


A história nem sempre começa no ponto que queremos. No plano eterno de Deus ela começa bem antes daquilo que o nosso modelo filosófico estabelece.

Deus sabia que José seria rejeitado por seus irmãos e vendido como escravo para o Egito por causa da maldade que havia nos corações de seus irmãos. O Senhor sabia que José seria fiel em todas as circunstâncias, não porque Deus determinou que ele fosse fiel, mas porque José amava o Deus de Jacó.

Do mesmo modo que José foi rejeitado e esteve em terra estranha, Deus enviaria o Messias um dia e ELE também seria rejeitado pela maldade que havia no coração de seus irmãos e também seria vendido pelo preço de um escravo (vinte moedas de prata). Deus não trabalha com determinismo fatalista. O homem tem livre-arbítrio. Deus não disse de Davi “Fiz um homem conforme o meu coração”, mas sim “achei um homem”. O livre-arbítrio é o atributo moral dado ao homem pelo Deus justo e soberano que por meio da Bíblia se declara justo e confere aos homens o direito de medir seus atos de justiça pelo testemunho que ELE dá de si mesmo. Certos argumentos teológicos misturados com determinismo estoico são mera enganação e não passam pelo crivo das escrituras.

Podemos dizer que Deus sempre usou seus servos com poder e graça enquanto eles foram fiéis. Ao abandonarem o projeto eterno perderam também a benção de Deus. Saul é um exemplo disto, pois foi um servo de Deus que trouxe grandes vitórias ao povo de Israel, mas a bíblia nos conta que ele era desobediente a Deus e o profeta Samuel afirma que tudo seria diferente se Saul fosse fiel (I Samuel 13:13). Não existe uma vez salvo, salvo para sempre na Bíblia Sagrada (►Confira mais NESTE LINK).

O Deus que transforma a morte em vida é capaz de transformar até as atitudes dos ímpios em benefícios para o seu povo. A reforma protestante na Inglaterra é um exemplo disto, foi feita por um rei ímpio. Certas igrejas protestantes evitam tocar neste assunto.

Não temos preconceitos contra a história real do pecador, afinal o homem é salvo somente pela graça de Deus. Mas a salvação não é o samba do Zeca Pagodinho ao estilo “deixa a vida me levar” é um processo e exige uma interação sinérgica entre o salvo e o seu salvador. Foi o Deus soberano que determinou isto.

Abordaremos a história. Embora Henrique VIII tivesse defendido a Igreja Romana com o livro Assertio Septem Sacramentorum (Defesa dos Sete Sacramentos), que contrapunha as 95 Teses de Martinho Lutero, Henrique promoveu a Reforma Inglesa para satisfazer as suas necessidades políticas. Sendo este casado com Catarina de Aragão, que não lhe havia dado filho homem, Henrique solicitou ao papa Clemente VII a anulação do casamento. Perante a recusa do papado, Henrique fez-se proclamar, em 1531, protetor da Igreja inglesa. O Ato de Supremacia, votado no parlamento em novembro de 1534, colocou Henrique e os seus sucessores na liderança da igreja, nascendo assim o anglicanismo. A igreja anglicana deu origem aos puritanos e metodistas (servos fiéis de Deus de conduta irretocável, todavia preservaram algumas práticas do catolicismo, dentre elas o batismo infantil).

Lutero e Calvino certamente falharam depois que a reforma estava concluída, principalmente nas questões relacionadas ao uso da violência (não se pode tapar o sol com a peneira e omitir estes fatos), mas Deus nunca falhou. Em meio ao movimento que ficou conhecido como reforma protestante Deus estava libertando a igreja do cativeiro das trevas da idade média.