O “CRISTÃO BEREANO” E O “CRENTE MARMITEIRO”


Por Marco Elias


“Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” - Atos 17:11

O escritor do livro bíblico de Atos dos Apóstolos fez um elogio aos crentes da cidade de Bereia, os quais foram mais nobres do que os crentes de Tessalonica. Aqueles servos de Deus passaram a pregação genuína dos apóstolos pelo crivo das escrituras para saber se a pregação era verdadeira e se os apóstolos eram verdadeiros ou mentirosos. É inegável que o uso da razão humana associada à interpretação da letra escrita do texto sagrado esteve a serviço da obra de Deus. Ainda hoje existem crentes bereanos em diversas comunidades cristãs, todavia, em estilo oposto a este tipo de servo de Deus, surgiu nos últimos anos o “crente marmiteiro”, um tipo religioso que vive de marmitas preparadas por lideranças e por sistemas eclesiásticos.

O uso do sacerdócio universal dos crentes e do livre exame das escrituras (ambos defendidos pela reforma religiosa do século XVI) são totalmente bíblicos e benéficos ao cristão que busca um relacionamento pessoal com Deus. Aqueles que, verdadeiramente, vivenciam o evangelho, fundamentados nos princípios supracitados, também rejeitam todo tipo de marmita eclesiástica. Uma marmita com “estrogonofe religioso” não deixa de ser marmita e não serve para saciar a fome de quem está acostumado a alimentar-se do cordeiro assado e do pão quente na mesa de Deus. 

Deus coloca sua mesa no deserto e em qualquer lugar que ELE quiser, mas os crentes marmiteiros pensam que a mesa de Deus está posta somente nos limites denominacionais. O pão vivo também é servido onde o nome de Cristo é verdadeiramente cultuado. Nestes lugares a graça de Deus vai ao encontro do necessitado. Como disse o meu Senhor Jesus: “O vento assopra onde quer”. Eu creio no meu Jesus, mas faz muito tempo que deixei de crer em certos pregadores por aí...